Gestão

O erro de gestão que derruba empresas saudáveis: quando crescer rápido demais vira armadilha

Crescimento acelerado parece sempre positivo. Mas há um padrão recorrente de empresas brasileiras que crescem rápido, perdem o controle e entram em colapso. O que está por trás disso?
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Ilustração: Nexo Aberto

Existe um fenômeno que consultores de gestão conhecem bem mas raramente aparece nos livros de empreendedorismo: a empresa que cresce rápido demais e quebra exatamente por causa do crescimento. Não por falta de demanda, não por produto ruim, não por concorrência — mas porque a estrutura interna não conseguiu acompanhar a velocidade da expansão.

No Brasil, o fenômeno é particularmente visível no setor de varejo, na construção civil e nas startups. A lógica é sempre parecida: um negócio encontra uma fórmula que funciona, escala rapidamente, abre unidades ou contrata em ritmo acelerado, e então começa a apresentar problemas que parecem inexplicáveis — qualidade caindo, clientes insatisfeitos, funcionários desmotivados, caixa apertado apesar das vendas crescentes.

O que os números não mostram

O problema central é que as métricas de crescimento — faturamento, número de clientes, unidades abertas — são visíveis e celebradas. Os indicadores de saúde organizacional — cultura, processos, capacidade de gestão — são invisíveis até que se tornem problemas graves.

"Toda empresa tem uma capacidade de absorção de crescimento. Quando você cresce mais rápido do que essa capacidade, você começa a destruir valor mesmo enquanto parece estar criando", explica Renata Borges, consultora de gestão com 20 anos de experiência em empresas familiares brasileiras.

"Crescer é fácil. Crescer bem é difícil. A maioria das empresas não sabe a diferença até ser tarde demais." — Renata Borges, consultora

O caso das franquias

O setor de franquias é um laboratório perfeito para estudar esse fenômeno. O Brasil tem um dos maiores mercados de franquias do mundo, e a taxa de abertura de novas redes é alta. Mas a taxa de fechamento também é — e muitas redes fecham não por falta de demanda, mas por incapacidade de padronizar e controlar a qualidade à medida que crescem.

Uma rede de alimentação que funciona perfeitamente com 10 unidades pode entrar em colapso com 50 se não tiver sistemas robustos de treinamento, controle de qualidade e suporte ao franqueado. O produto que funcionava quando o fundador estava presente em cada unidade não sobrevive à escala sem processos que substituam essa presença.

Como crescer sem se destruir

Os especialistas consultados convergem em alguns pontos. Primeiro: crescer mais devagar do que a demanda permite, pelo menos até que os processos estejam consolidados. Segundo: investir em gestão antes de precisar — contratar gerentes, implementar sistemas, documentar processos enquanto ainda há tempo e dinheiro para errar. Terceiro: medir o que importa, não apenas o que é fácil de medir.

Crescimento sustentável é, paradoxalmente, mais difícil de vender para investidores e para a imprensa do que crescimento explosivo. Mas é o único tipo que dura.

Evolução: 2021–2026 2021 2023 2025 2026
Fábio Drummond
Fábio Drummond
Editor de Negócios — Nexo Aberto

Jornalista especializado em gestão. Cobre temas relevantes para o Brasil contemporâneo com rigor e clareza.