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Agronegócio e tecnologia: a revolução silenciosa no campo brasileiro

Drones, sensores, análise de dados e inteligência artificial estão transformando a produção agrícola brasileira. Mas a adoção não é uniforme — e as diferenças regionais são enormes.
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Ilustração: Nexo Aberto

O Brasil é uma potência agrícola global. É o maior exportador mundial de soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina. Essa posição não foi construída apenas com terra e clima favoráveis — foi construída com investimento em pesquisa, genética e, mais recentemente, tecnologia de precisão.

A chamada agricultura de precisão — uso de sensores, drones, GPS e análise de dados para otimizar o uso de insumos e aumentar a produtividade — está se expandindo no Brasil a uma velocidade impressionante. Mas a expansão não é uniforme, e as diferenças entre o agronegócio de grande escala e a agricultura familiar são gritantes.

O que a tecnologia está mudando

Uma fazenda de soja no Mato Grosso hoje pode ter sensores de umidade do solo em tempo real, drones que fazem mapeamento e aplicação de defensivos, sistemas de GPS centimétrico para plantio e colheita, e plataformas de análise de dados que cruzam informações climáticas com histórico de produção para otimizar decisões.

O resultado em produtividade é real. Produtores que adotaram agricultura de precisão relatam reduções de 15% a 30% no uso de defensivos e fertilizantes, com manutenção ou aumento da produtividade. O impacto ambiental e econômico é significativo.

O abismo tecnológico

Mas esse cenário é a realidade de uma fração do agronegócio brasileiro — principalmente as grandes propriedades do Centro-Oeste e do Sul. Para a agricultura familiar, que representa 77% dos estabelecimentos rurais e produz boa parte dos alimentos consumidos internamente, o acesso a essas tecnologias ainda é muito limitado.

As barreiras são múltiplas: custo dos equipamentos, falta de conectividade rural, ausência de assistência técnica, dificuldade de acesso a crédito. A Embrapa e algumas startups de agtech estão trabalhando em soluções mais acessíveis, mas o caminho é longo.

Evolução: 2021–2026 2021 2023 2025 2026
Simone Lacerda
Simone Lacerda
Analista de Mercados — Nexo Aberto

Jornalista especializado em mercados. Cobre temas relevantes para o Brasil contemporâneo com rigor e clareza.